Ok, vamos começar do começo. Bem, em um tópico anterior, tratamos do positivismo e do marxismo como duas linhas de pensamento historiográfico. Enquanto a primeira nasce do surto cientificista do século XIX, iniciando uma linha metódica de pensamento histórico, a segunda é fruto da sensibilidade de quem via o "chão da fábrica", e encontrava a necessidade de fazer dela o motor da história.
Beleza. Mas ambas as tendências guardavam dentro de si fortes preconceitos. Enquanto a primeira rechaçava tudo aquilo que não fosse oficial e registrado, a segunda reduzia a história a uma mera luta de classes. Dessa forma, muita coisa ficou de fora, e a ciência do tempo abdicou de falar de muitos grupos que sempre estiveram aí, mas que nunca tiveram chance de mostrar quem eram.
Chegamos ao século XXI, depois de uma avalanche de transformações na sociedade. Vivemos a revolução feminina na década de 1950, o apartheid na África do Sul e nos Estados Unidos, que estendeu-se dos anos 1960 até dias bem próximos, a perseguição a judeus, ciganos e homossexuais nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), dentre outros fatos que podem ser considerados marcos na luta de direitos por parte de um grande número de pessoas que viram-se esquecidas ao longo do tempo.
Muitos teóricos consideram a nossa era como a hora e a vez das minorias. A democracia moderna não consiste apenas em atender aos interesses das maiorias, mas também, e principalmente, o das minorias organizadas. Dessas lutas, já resultaram diversas conquistas, como a criação de leis combatendo a violência contra a mulher, a legalização do casamento homossexual, a questão das cotas para negros em universidades (sobre a qual ainda existem diversas polêmicas) e diversas outras.
No campo da história, também, esses grupos passaram a ter voz. Surgem trabalhos que buscaram retratar a realidade de tais grupos, tentar entender suas representações psicológicas, a causa de suas lutas, o preço pago por suas conquistas, a necessidade de autoconhecimento que eles mesmos têm.

No Piauí, ao se tratar de gênero, pode-se destacar a obra-referência do Prof. Pedro Vilarinho Castelo Branco: "Mulheres Plurais: A Condição Feminina na Primeira República", onde o autor busca retratar o cotidiano e o imaginário da mulher piauiense numa época onde o machismo estava em voga. Nesse contexto, trabalha a vida da mulher da elite, e também das mulheres simples. A história das prostitutas, que, por sua vez, também vai ganhar destaque, como uma minoria cheia de histórias pra contar.
Em suma, o trabalho histórico requer sensibilidade, paciência e determinação. Conhecer aquele que está mergulhado nas sombras é algo difícil e exige, por que não dizer, certa dose de coragem. Cabe a nós vencermos nossos próprios preconceitos e partir em busca desse conhecimento.

Muito bom! Você consegue falar com simplicidade de temas complexos! Gostaria, de eventualmente, usar seus textos para ilustrar minhas aulas.
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